Ontem, Kleber Montezuma declarou: “chapa sem sobronomes importantes”, numa referência a ele e seu futuro vice, R. Silva, não terem sobrenomes tradicionais políticos. Uma verdade, mas só meia. E diz o jargão que “é possível dizer um monte de mentiras só falando a verdade”.

A chapa de Kleber Montezuma reune na verdade os nomes mais poderosos da política piauiense. Firmino Filho, por exemplo, prefeito de 4 mandatos, ex-deputado estadual e ex-vereador pelo PSDB, tão poderoso que toda eleição municipal forma uma chapa de situação com mais de 480 candidatos a vereador. Fazer isso, só com muito poder.

Kleber Montezuma: chapa sem sobrenome importante?
Kleber: ele mesmo tem um sobrenome importante na política de Teresina, mas quer esconder

Kleber Montezuma conta também com o senador Ciro Nogueira, um dos nomes mais influentes e poderosos do Brasil. Presidente nacional de um partido. Peso pesado da política nacional. Além deles, outros nomes orbitam a chapa como Iracema Portela, ex-esposa de Ciro Nogueira e deputada federal, Júlio Arcoverde, deputado estadual, e uma outra dezena de nomes “importantes”que, ao que parece, Kleber tenta esconder. Assim, se a chapa não tem nome importante, por trás dela são muitos. E tantar passar a imagem contrária disso é desonestidade intelectual com Teresina.

Mas o próprio Kleber, com seu sobrenome, já é há muito tempo um nome importante da política em Teresina. Pelo tempo e cargos que ocupou, acumulou poder suficiente para fazer parte do sistema e ser indicado por ele como candidato.

Mas não se engane, esse é um movimento de markeging pensado, e muito bem pensado. A estratégia por trás dessa simpática frase “chapa sem nomes importantes” é tentar criar uma empatia com a população e distanciar o próprio Ciro Nogueira da imagem de Kleber. Jogar para a platéia como se diz no popular. Mas como esconder mais de 30 anos de gestão, tanto poder partidário e político? Impossível. Talvez lá para os idos de 1986, quando Kleber foi nomeado para a Prefeitura de Teresina – de de lá só saiu agora para ser candidato – quando não existiam as redes sociais e a narrativa era imposta apenas pelos tradicionais veículos de comunicação. Mas agora, com a redes sociais, isso é bem diferente.

Kleber Montezuma, Teresina não quer saber de sobrenomes

Sabe o que penso, que Teresina não quer saber de sobrenomes, a cidade quer ver resolvido seus problemas, não os pequenos apenas, mas os de desenvolvimento, de geração de empregos e os problemas estruturantes como o saneamento básico e a mobilidade urbana. A população quer entender por que não industrializaram Teresina, porque as galerias não foram construídas. Nos bairros, querem a solução das questões de segurança pública, mais esporte, mais emprego e mais saúde.

Nada disso se resolve com sobrenomes, sejam importantes ou não. Essas questões, Kleber Montezuma, se resolvem com projetos, ideias inovadoras, combate à corrupção, investimentos, capacidade executiva.

A frase de Kleber Montezuma diz muito sobre ele, enquanto candidato e sobre sua campanha. Diz o quão pequeno são as mentes deles e que Kleber passou a ser apenas um produto de marketing que repete o que é dito por um marqueteiro.

Se isso não for um triste fim, é um péssimo começo.

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