13/03/2018 - 10:44

Trabalhadores dos Correios no Piauí aderem à paralisação nacional

Alguns integrantes da categoria se reuniram durante a manhã, em frente à sede dos Correios

Autor: Thauana Cavalcante

Os trabalhadores do Correios no Piauí aderiram ontem, dia 12, a uma paralisação nacional, que tem como objetivo principal evitar mudanças no plano de saúde do trabalhador. Alguns integrantes da categoria se reuniram durante a manhã, em frente à sede dos Correios, no Centro de Teresina.

De acordo com Evandro Pinheiro, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Piauí (Sintect-PI), desde 2010 que a empresa vem insistindo em implantar mensalidades no plano de saúde dos funcionários. “Em 2014 isso se intensificou e agora devido ao dissídio coletivo que será julgado estamos fazendo essa paralisação para impedir que essa mensalidade seja incluída, pois o trabalhador não tem condições de pagar”, declara.

O pagamento varia de 1,7% até 20% do salário bruto do trabalhador, segundo Evandro Pinheiro. Além da mensalidade, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) quer fazer também a retirada de dependentes.

O Sindicato informa também que há outras demandas relacionadas à paralisação, como, o pouco número de trabalhadores. “Nos últimos cinco anos, a empresa desligou 22 mil trabalhadores em todo o país e essa quantidade não foi reposta. A carta que é para ser entregue no dia 5 do mês está chegando hoje por falta de carteiros”, afirma Evandro.

A paralisação dos Correios implica diretamente em serviços de entrega de encomendas, postagens simples e atendimento bancário realizado por bancos postais em agências de Correios. Por enquanto, só aderiram ao movimento no Piauí trabalhadores de Teresina e de outras cidades maiores no Estado como Piripiri. Até o fechamento desta edição, os Correios no Piauí não haviam passado o número exato de cidades e trabalhadores que aderiram à paralisação.  A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios ficou de se reunir com a categoria ainda ontem sobre as reinvindicações. Após a conversa é que o Sindicato definirá se continuará ou não com o movimento.  

Esta é a segunda greve dos Correios em menos de seis meses. Em outubro do ano passado, os trabalhadores também paralisaram as atividades por reajuste salarial.
 
Resposta

A direção dos Correios divulgou nota afirmando que mesmo reconhecendo que a greve é um direito do trabalhador, “a empresa entende o movimento atual como injustificado e ilegal, pois não houve descumprimento de qualquer cláusula do acordo coletivo de trabalho da categoria”.
Com o objetivo de ganhar a opinião pública, as representações dos trabalhadores divulgaram uma extensa pauta de reivindicações que nada têm a ver com o verdadeiro motivo da paralisação de hoje: a mudança na forma de custeio do plano de saúde da categoria.
O movimento está relacionado, essencialmente, às discussões sobre o custeio do plano de saúde da empresa, que atualmente contempla, além dos empregados, dependentes e cônjuges, também pais e mães dos titulares. O assunto foi discutido exaustivamente com as representações dos trabalhadores desde outubro de 2016, tanto no âmbito administrativo quanto em mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho, que apresentou proposta aceita pelos Correios, mas recusada pelas representações dos trabalhadores. Após diversas tentativas de acordo sem sucesso, a empresa se viu obrigada a ingressar com pedido de julgamento no TST. No momento, a empresa aguarda uma decisão por parte daquele tribunal. A audiência estava programada para acontecer na tarde de ontem.

 Serviço

A paralisação parcial, iniciada ontem (12) por alguns sindicatos da categoria, ainda não tem reflexos nos serviços de atendimento dos Correios. Até o momento, todas as agências, inclusive nas regiões que aderiram ao movimento, segundo os Correios, estão abertas e todos os serviços estão disponíveis.


Fonte: Jornal Diário do Povo