03/07/2017 - 11:37

Insegurança e longa espera afastam população do transporte público

As mudanças precisam estimular o uso do ônibus.

Autor: Mariana Viana

Por que o transporte público de Teresina é tão criticado? E o que deveria ser feito para que ele fosse utilizado também por quem tem carro?  A especialista em trânsito, Audea Lima comenta o assunto que é bastante polêmico na capital - pois muitos usuários afirmam que existem diversos fatores que desestimulam a utilização de ônibus – apesar do poder público municipal está realizando uma série de intervenções na cidade a fim de estimular a população a usar mais o serviço de transporte coletivo e deixar o carro em casa.  

Foto/Francisco Gilásio 

A respeito do impasse, a especialista Audea Lima explica que o fator determinante de estimulo à população para uso no transporte público é questão do custo-benefício. “Os investimentos no setor de transporte estão acontecendo, como por exemplo, a construção de novas estações e terminais de integração. Isso nós não podemos negar. Mas, o que vai fazer a diferença será o valor pago por esse serviço, se valerá a pena para quem utiliza, porque se houver outro meio de transporte onde você possa pagar um valor acessível por mais conforto, o transporte público será deixado de lado”, explica.

De acordo com Audea, dentre os fatores que impedem a utilização do transporte público por uma quantidade maior de pessoas estão: clima, insegurança, tempo de espera nas paradas e falta de qualidade dos veículos. “O que nos resta é esperar para sabermos se as mudanças anunciadas irão amenizar os problemas atuais”, completa. Os pontos destacados pela especialista são também as principais reclamações de quem é obrigado a utilizar o serviço todos os dias.

“O preço da passagem é R$ 3,30. Eu pego quatro ônibus por dia, ou seja, são R$ 13,20 para fazer o trajeto de ida e volta do bairro Itaperu (Norte) ao bairro de Fátima (Leste). Por mês, descontando os sábados e domingos, o gasto total é de quase R$ 300. O que me deixa revoltada é pagar caro por ônibus que vivem quebrando. Quando não quebram, só andam atrasados ou lotados”, reclama Ana Maria Sousa, funcionária de supermercado na zona Leste de Teresina.

Foto/Francisco Gilásio 

“É absurdo pagar R$ 3,30 por veículos que tem pedaços de teto caindo”, reclama o jornalista Augusto França. “Quarta-feira, eu esperava o ônibus na Praça do Fripisa (Centro) e uma pessoa com deficiência física teve de ser carregada por passageiros, motorista e cobrador para poder desembarcar de um ônibus que estava com a plataforma de elevação sem funcionar direito.  À noite, a partir das 20 horas,  diminui a quantidade dos ônibus e quem está esperando fica à mercê da violência já que o ônibus demoram e muitas paradas são escuras, como as duas últimas da avenida Frei Serafim (Centro), antes da ponte Juscelino Kubitschek.

Mesmo com a obrigação das empresas de realizarem manutenção constante dos veículos, de acordo com informações da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (Strans), toda semana, uma média de 12 ônibus apresenta problemas em Teresina.


Fonte: Diário do Povo