17/03/2017 - 11:01

Dependentes químicos aproveitam carros parados em rotatória para roubar

Em casos de assaltos ou outro de violência, a vítima deve procurar uma delegacia.

Autor: Mariana Viana

A presença constante de usuários de drogas na rotatória da avenida Miguel Rosa com a BR-316, zona Sul de Teresina, preocupa a população e as instituições que promovem ações de prevenção e combate à dependência química no Piauí.  De acordo com o taxista Raimundo Oliveira, eles abordam os veículos que passam pelo local pedindo dinheiro, como forma de manter o vício.

Foto/Francisco Gilásio 

Ele acrescenta que, nos finais de semana, quando o fluxo de veículos na região é menor, os usuários de drogas assaltam motoristas e pedestres. “Geralmente, eles ficam escondidos atrás do matagal e aparecem de surpresa”, afirma. 

Analice Mendes, empresária, reclama que o principal problema da abordagem é o modo como eles chegam perto dos motoristas. “Muitas vezes, eles pedem dinheiro de forma agressiva, como se a gente tivesse a obrigação de dar esmolas, e reagem com violência quando a gente não tem moedas”, diz. 

Em casos de assaltos ou outro de violência, a vítima deve procurar uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência. No entanto, a melhor solução para o problema das drogas em Teresina ainda é a prevenção e tratamento das pessoas com dependência. Para isso, Sâmio Falcão, coordenador-geral da Coordenadoria de Enfretamento às Drogas (Cedrogas), afirma que o Governo do Estado desenvolve ações de prevenção e tratamento em parceira com diversas instituições. 

“As ações de prevenção acontecem nas próprias instituições que tratam dos dependentes como também nas escolas, igrejas, nos centros comunitários e nas associações de moradores”, acrescenta.
No caso dos dependentes químicos, que também são moradores de rua, que ficam na rotatória do bairro Tabuleta, o coordenador da Cedrogas explica que existe um trabalho feito na região em parceira com a Pastoral do Povo da Rua.

“As equipes da pastoral passam por lá, diariamente, tentando tirar aquelas pessoas das ruas, tentando convencê-las a ir para o tratamento da dependência química.  É importante destacar que a procura pelas comunidades terapêuticas, que são os espaços para tratamento das pessoas com dependência química, tem que acontecer de forma voluntária. A gente não pode obrigar que elas façam o tratamento, a não ser que seja por medida judicial”, explica.

Sobre a quantidade de pessoas que sofrem com a dependência de álcool e outras drogas no Piauí e na capital, Sâmio Falcão esclarece que não há número específicos, pois existe aquelas pessoas que procuram a Cedrogas, mas não se declaram viciadas. De acordo com ele, o dado que se tem conhecimento é que 80% dos dependentes químicos são homens e 20% são mulheres.


Fonte: Diário do Povo