22/11/2017 - 15:54

Bancas de revistas de Teresina resistem ao avanço da internet

São empresas quase sempre passadas de pai para filho

Autor: Claryanna Alves

As bancas de revistas lutam para se manter frente às facilidades de acesso trazidos pela internet. Online pode-se encontrar todo tipo de leitura sem mesmo precisar ter o livro em mãos, lendo apenas na tela do computador.

No entanto, em Teresina, o mercado ainda é favorável para as tradicionais bancas que ficam no Centro de Teresina. Elas ainda são bem comuns de serem encontradas, principalmente em praças. A grande maioria dessas bancas é passada de pai para filho, assim como os clientes que as frequentam.

Dalva Machado conta que a banca onde trabalha existe há mais de 50 anos. Dela o seu pai, o senhor Servo de Deus, tirou dali o sustento necessário para criar sua família. Hoje, Dalva dá continuidade ao trabalho. “Antes, as vendas eram muito boas. A movimentação era maior e sempre costumava aparecer mais gente. Hoje, as vendas são razoáveis, a gente consegue se manter. Além disso, temos os clientes fiéis que sempre dão uma passada para conferir o que tem de novo”, conta.

Assim como Dalva, Roniel Leite também herdou de seu pai, o Senhor Ernani, a banca em que trabalha há cerca de cinco anos. “Minha família sempre trabalhou aqui, assim como muitas outras bancas espalhadas por Teresina. São tradicionais e um negócio de família”, diz. “Com relação à tecnologia, percebo que caiu um pouco as vendas, mas não tão expressivamente. Como é perigoso andar com celular na rua, por exemplo, muitas pessoas compram aqui uma Coquetel para esperar o tempo passar em uma fila de banco”, completa.

Tanto Dalva como Roniel evidenciam que a procura por revistas de saúde, alimentação e beleza são grandes, mas na banca da Dalva aparecem jovens que buscam leitura de cultura e revistas infantis. Na banca de Roniel, a procura maior é por revistas que estimulam a memória e o raciocínio.

“Geralmente aparecem pessoas com mais idade que gostam dessas atividades que estimulam o raciocínio, para manter a mente ativa, mas também procuram muito por itens colecionáveis, como carrinhos que vêm como brinde em algumas revistas”, explica Roniel.

Já Dalva observa que o público mais jovem tem voltado a consumir histórias em quadrinhos que pareciam ter se perdido no tempo. “Os mais jovens têm aparecido aqui buscando Cavaleiro dos Zodíaco e Dragon Ball, que já não se vendia tanto até pouco tempo. Esse público também é muito interessado em Mangá. Só que o maior público realmente são pessoas acima dos 30 anos”, diz.

O estudante Pedro Santos conta que tem o hábito de ainda procurar nas bancas revistas em quadrinhos e outras mais históricas para ler. “Eu sei da facilidade da internet, mas, às vezes, acontece de encontrar algo diferente na banca, alguma coisa que a gente nem estava procurando e vira um achado. Tem bancas que vendem coisas mais antigas, coisas que podem ser consideradas relíquias. Fora que eu gosto de ter o livro físico, não gosto muito de ler no computador”, explica.