07/03/2017 - 11:11

Bebês com microcefalia recebem cuidados especiais no Ceir

Ao todo, 71 bebês com microcefalia recebem diariamente cuidados especiais.

Autor: Capital Teresina

João Gabriel tem apenas 10 meses de vida, com um sorriso que dá forças para a sua mãe, Fernanda Nunes, não medir esforços para o tratamento do filho. O bebê nasceu com microcefalia, mas apenas foi diagnosticado com a doença há três meses.

Foto/Ascom

“Eu ainda não sabia o que fazer e muito menos que lugares procurar. Mas fui atrás e não desisti. Até que encontrei o Ceir, lugar que ainda não conhecia, mas que tem sido uma segunda casa”, comenta Fernanda Nunes.

A dona de casa saiu de Caraúba, no Norte do Piauí, deixando esposo e família, para que o filho pudesse receber os cuidados do Centro Integrado de Reabilitação (Ceir). “Foi muito difícil e ainda está sendo. Mas agora estou recebendo orientações sobre os direitos do meu filho e estou vendo ele apresentar melhoras”, conta Fernanda.

Assim como João Gabriel, outros 71 bebês com microcefalia recebem diariamente cuidados especiais do Ceir, que há um ano mantém a Clínica de Microcefalia, com atendimentos e horários exclusivos.
 

Foto/Ascom

A coordenadora do serviço, Maria Andreia Marques, explica que a clínica possui um programa de reabilitação que tem sido adaptado de acordo com as necessidades dos bebês e das famílias.

Clínica de Microcefalia

A Clínica de Microcefalia iniciou com um programa, composto por grupos de estimulação precoce, para estimular o desenvolvimento motor, cognitivo, social, sensorial e a linguagem do bebê; grupos de acolhimento, para trabalhar o afeto entre as mães; além de atendimentos individuais de fisioterapia e cursos para pais ou responsáveis com orientações sobre o cuidado da criança com microcefalia.

“Observando novas necessidades, agora também realizamos avaliação e monitoramento da saúde auditiva desses bebês, confeccionamos órteses especiais para eles, oferecemos um grupo terapêutico de apoio às mães, entre outros serviços”, pontua Maria Andreia Marques.

O serviço, que é uma ação da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) com o Ministério da Saúde, disponibiliza uma equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, dentistas, nutricionistas, entre outros profissionais.

Para ter acesso, basta ir até o Centro de Referência Estadual de Microcefalia, que funciona no Instituto de Perinatologia Social da Maternidade Dona Evangelina Rosa, ou ao Centro Integrado de Saúde Lineu Araújo. Desses locais, o bebê é encaminhado para o Ceir, onde é avaliado em consulta médica de admissão e inserido no programa de reabilitação.

Novos motivos para sorrir

"Cada evolução é um novo motivo para sorrir", é o que conta a jovem Gabriela Marcondes, mãe do Ravi Lucas, de 11 meses. “Ele só tinha dois meses quando iniciou o tratamento e tem evoluído bastante. Cada dia é uma descoberta e uma vitória”, diz a mãe.

Além da atenção à saúde do filho, Gabriela tem no Ceir a garantia dos seus direitos. “Nós acolhemos famílias que não estavam preparadas para receber um bebê com microcefalia, que é uma pessoa com deficiência que tem direitos garantidos por lei desconhecidos pela maioria”, explica Izabel Herika, coordenadora do Serviço Social do centro.

Entre os direitos, estão o passe livre municipal, benefício de prestação continuada, Tratamento Fora do Domicílio (TFD), acesso a medicamentos e outros. “Há casos em que entramos em contato direito com o Ministério Público para assegurar os direitos dessas famílias e comemoramos cada conquista”, destaca a assistente social.

O caminho não é fácil e são muitas as dificuldades enfrentadas e ainda serão muitos os desafios que irão surgir. Mas os sorrisos no rosto de cada um desses 72 bebês e os olhares das mães e terapeutas acompanhando cada evolução são recompensas de um trabalho que é muito mais do que saúde, é humanização.


Fonte: Ascom