17/07/2017 - 12:47

Governo está preocupado com candidato da oposição, afirma Rodrigo Martins

O deputado acredita que a Reforma da Previdência não será votada nesse mandato.

Autor: Marcelo Rocha

O deputado federal Rodrigo Martins (PSB) garante que se o ex-senador João Vicente Claudino (sem partido) decidir ser candidato a governador, pela oposição, terá o seu apoio político. No entanto, afirma que há vários nomes possíveis para disputar o comando do Palácio do Karnak, no grupo oposicionista. Ele cita, por exemplo, os nomes do ex-governador Wilson Martins (PSB) e os deputados estaduais Robert Rios (PDT) e Dr. Pessoa (PSD). Segundo ele, a demora em apresentar o candidato da oposição, tem deixado o governo preocupado. O deputado acredita que a Reforma da Previdência, apresentada pelo presidente Michel Temer, não será votada nesse mandato. Sobre a possibilidade de ser aprovada, na votação da Reforma Política, a proposta do Distritão, onde vão eleitos os mais votados para os cargos, Rodrigo Martins acha que será aprovada pela Câmara dos Deputados.

Foto/Francisco Gilásio 

Diário do Povo – Deputado Rodrigo Martins qual é a avaliação que o senhor faz da situação política do país, quando se tem o ex-presidente Lula com prisão decretada e o atual presidente, Michel Temer, tendo problemas com a Justiça e no Congrsso Nacional?

Rodrigo Martins – Nós vivemos num momento histórico. O Brasil está enfrentando, pela primeira vez em sua história, de uma maneira aberta e transparente, toda a problemática da corrupção. Tem que falar a verdade. Não foi algo que começou apenas nesse governo. Mas, pela primeira vez nó estamos encarando esse problema de frente e tratando todos iguais, como determina a Constituição. Todos estão iguais perante a lei. Tanto faz ter cargo ou ter ocupado cargo, ser populista ou não, mas todos devem ser encarados. E eu faço uma avaliação positiva desse momento da Câmara. É lógico que eu não queria estar nesse nosso primeiro mandato de deputado federal caçando presidente e caçando presidente da Câmara, também. Votando num possível afastamento do vice que assumiu o cargo e para que seja investigado.Eu queria estar lá era discutindo e debatendo os problemas e avanços do Brasil. Mas, infelizmente ou felizmente, essa problemática da corrupção veio a tona e nós estamos encarando ela de uma maneira muito tranquila. E é preciso, realmente, que se faça uma varredura. É preciso que se traga à luz da transparência todas essas questões que foram descobertas e desvendadas, que estão sendo delatadas. Eu não defendo delator, até por que são criminosos e réus confessos, mas são pessoas que estão contribuindo com a justiça. Apesar de serem bandidos e criminosos, estão contribuindo ao entregar provas testemunhais e documentais para a justiça apure os fatos e traga para a luz da transparência e para a legalidade. Em relação ao presidente Lula, nós lamentamos o fato de uma pessoa que era um líder sindical, que teve uma história política brilhante, foi presidente, teve uma ação social fantástica, lamentamos que fique claro para a população o envolvimento. É lógico que cabe recursos. Vamos aguardar o que vai acontecer. Mas, volto a dizer que ninguém está acima da lei.
 
DP – Deputado, como avalia esse efeito dominó que pode acontecer, onde estão sendo denunciados presidente, vice-presidente e presidente da Câmara dos Deputados. Se ocorrer essas investigações com os líderes dos poderes executivo e legislativo como fica a situação da população brasileira? E isso é bom ou ruim?

RM – Bom não pode ser, você estar com representantes envolvidos em escândalos, envolvidos em denúncias, isso não é bom para a população. E não é bom para a classe política. Inclusive muito desse desgaste que a classe política tem hoje vem em decorrência dessas ações. Nós somos 513 deputados. E eu tenho plena convicção que não são todos que são bandidos ou que estão envolvidos em denúncias. Eu, graças a Deus, não tenho nenhum tipo de denúncia.  Mas, infelizmente, existem outros que estão, tanto na conjuntura nacional, como nas estaduais e local. Mas, a população, de uma maneira ou de outra, tem nos acompanhado e ficado mais atenta. Eu acredito que essa situação, também, em que está hoje o Brasil tem contribuído para aumentar o senso critico, aumentar a fiscalização no político. Não só no momento eleitoral, mas também no seu mandato. Já está claro hoje no Brasil que é preciso nós termos algum tipo de atitude. É impossível nós vermos um político tendo uma relação clara com a corrupção e nenhuma atitude ser tomada. Independente se o Temer vai ficar ou não, e quem vai decidir é o plenário, eu defendo que, se ficou claro o seu envolvimento com corrupção ou com qualquer ato de ilegalidade, ele seja demovido do cargo, que seja julgado como qualquer outro cidadão comum. Ele ou o presidente da Câmara dos Deputados.
 
DP – O plenário da Câmara Federal tem o mesmo pensamento do senhor?

RM – É um risco que se corre muito grande. Você afastar o presidente, você tem que ter  dois terço votando, né. É muito mais comodo para o presidente o placar favorável. Mas, eu acredito que plenário da Câmara não está ausente e nem distante da realidade brasileira. Muitas denúncias estão acontecendo. A denúncia do Ministério Público já aconteceu. Mas, certamente o presidente Temer não vai ser julgado somente por essa denúncia. Ele vai ser julgado pelo conjunto da obra. E existem outras preocupações do governo que não são só as denúncias. Existem, também, as delações que estão por vir. A do Funaro, que é um doleiro que operava um esquema de recursos financeiros para o PMDB e pro ex-presidente da Câmara, o ex-deputado federal Eduardo Cunha, que pode estar envolvendo diversos parlamentares, inclusive o presidente Michel Temer e outros deputados do PMDB. Existe essa expectativa e talvez o temor do Governo fosse esse, naquele momento da decisão do querer por querer votar a denúncia ainda antes do recesso. E graças a obstrução da oposição terminou não sendo possível, ficando para o dia 2 de agosto.
 
DP – E parlamento brasileiro, nesse clima, aprova a reforma previdenciária como aprovou a trabalhista?

RM – Eu faço a avaliação que a reforma previdenciária não será votada. O governo hoje perdeu a quantidade de votos que tinha. Eu tenho uma avaliação muito singular que se essa denúncia fosse votada hoje, que era a previsão que o governo queria, o governo iria conseguir cerca 220 a 250 votos para ele. E essa denúncia não iria seguir adiante. Mas, iria demonstrar que a base dele estaria reduzida. E um governo com somente 220 a 250 votos favoráveis, é um governo sem estabilidade. O governo não conseguiria, e nem conseguirá aprovar matérias mais polêmicas. Por isso, eu avalio que a reforma da previdência não será discutida nesse mandato. É lógico que é um problema que precisa ser encarado, discutido e debatido. Mas, devido a fragilidade do governo, neste momento, eu acredito que ela não entrará mais em pauta. Em relação a reforma política que muito se discute lá na Câmara, existe uma possibilidade dela seguir adiante. Até porque tem interesse de partidos políticos e têm interesses de deputados, em relação a situação da reforma política. É que as regras mudaram, as doações foram reduzidas apenas para pessoas físicas e aumentou muito a fiscalização por parte do Ministério Público e por parte da sociedade, em relação as campanhas. E isso é benéfico, pois você proporciona nível de igualdade de disputa para todos os candidatos. E isso diminuiu o poderio econômico nas campanhas. Eu acredito que possam passar algumas coisas da reforma politica, mas não acredito que a reforma previdenciária possa seguir adiante.
 
DP – E na reforma política está sendo muito falado o Distritão. Dizem que é uma forma dos deputados denunciados escaparem se reelegendo. O que o senhor acha dessa proposta?

RM - Na verdade, eu acho que o problema do parlamentar escapar, ou não, da denúncia tem mais a ver com o foro privilegiado. Eu defendo o fim do foro privilegiado. Eu acredito que o Brasil já está maduro suficiente e a Câmara, também. É uma matéria que está tramitando a muito tempo. Já passou para o Senado. A gente já passou da hora de votar o fim do foro privilegiado pra político no Brasil. Eu acredito que político, tendo ou não mandato, é igual a qualquer outra pessoa e deva ser julgado nos mesmo critério que os outros. Em relação ao Distritão, a maior critica é que iria se favorecer pessoas já conhecidas e enfraquecer partidos que estão hoje em grande ascensão. O Brasil tem muitos partidos. Mas, ao mesmo tempo, eu acredito que é uma maneira mais justa e mais fácil do cidadão entender uma eleição. Em Teresina, nós temos alguns exemplos de vereadores que entraram com pouco mais de mil votos, e vereadores que tiveram quase cinco mil votos e não entraram. É algo que, realmente, deixa uma dúvida. Seria uma maneira mais justa de se estar colocando os mais votados. Seria como um concurso público, por exemplo, que quem tem mais pontuação termina entrando. O Distritão é uma possibilidade no Brasil, mas eu não sou seguro de que ele seja o melhor sistema. Na verdade eu não tenho nenhuma segurança, porque em todos os sistemas eleitorais existem falhas. É preciso que possamos olhar a nossa realidade local. Mas, eu acredito que o Distritão possa passar para as eleições de 2018.
 
DP – Na política estadual, o PSB faz oposição ao governo...

RM – Desde o início do governo. Têm uns que mudaram depois...
 
DP – E até agora a oposição ainda não apresentou o nome do candidato a governador do Piauí. Surgem conjuntura de nomes e pronto. O que está acontecendo? A oposição não tem nomes ou está guardando a sete chaves?

RM – Nós estamos conversando. Nós temos nomes. A  grande aflição do governo do Estado é essa, ele não sabe com quem vai concorrer até agora. O governo é desgastado, fraco e não trouxe nenhuma novidade. Um governo que está aí, há quase quatro anos, e não está fazendo nem o seu dever de casa. Nós estamos observando várias e várias ordens de serviço. Você chega no interior, em qualquer cidade, tem vários papeis dando autorização de realizar obras, de realizar algum tipo de serviço e na verdade não sai do papel. É um governo que tem uma prática de autorizar sem nem sequer ter o recurso da obra.
 
DP – Muitas obras estão previstas de aparecer agora no próximo ano.

RM – Eu não sei. Eu até que queria que aparecesse, porque iria trazer algum tipo de melhoria para as cidades, para os municípios, que a gente acredita que precisam de um governo mais presente. Mas, infelizmente, não é a realidade que nós estamos observando. Lógico, que num momento eleitoral, se faz um esforço muito grande para, pelo menos, parecer que você levou alguma coisa. Apesar de torcer que isso aconteça, eu não acredito que isso vá acontecer. O governo está desesperado porque ainda não sabe com quem vai enfrentar as eleições do próximo ano. A oposição tem vários nomes conversando...
 
DP – Por exemplo...

RM – João Vicente Claudino, o ex-governador Wilson Martins, o próprio deputado Robert Rios Magalhães. Doutor Pessoa tem se demonstrado, também, já bastante tendencioso a não participar desse esquemão que tem no governo. E eu conhecendo ele, pessoalmente, sei do caráter, da sua seriedade. Tem também o próprio João Henrique Sousa, que apesar de estar no PMDB tem feito um discurso de oposição ao governo do Estado. Existem outros nomes surgindo. Nomes que não são da política, por exemplo.
 
DP – O empresário Jesus Filho, por exemplo é um nome viável?

RM – Jesus Tajra Filho é um nome considerado em qualquer área que entrar. É um pessoa extremamente preparada, uma pessoa competente e reconhecida. Se ele tiver disposição, certamente seria um grande nome para o estado do Piauí. Não só para a oposição. Até porque ele poderia implementar o que ele tem hoje na iniciativa privada, para o governo do Estado e quem sabe dar uma guinada no Piauí que vive de potenciais. Um dia desses, o governo estava comemorando a safra recorde do Piauí, como se fosse o governo do Estado que tivesse levado algum tipo de incentivo, de estrutura ou até mesmo de chuvas para a grande produção. Fez como se tivesse sido o governo e não os homens e mulheres que trabalham na produção agrícola no Estado.
 
DP – O ex-senador João Vicente Claudino tem se reunidos com prefeitos e lideranças politicas conversando sobre as eleições 2018. Ele é um bom nome para governador do Piauí?
RM – Se João Vicente Claudino estiver com essa disposição, ele poderá ser nome da oposição. É uma pessoa que passou na político como senador, e você pode observar que muitos dos senadores que estavam no mandato dele estão muitos envolvidos em denúncias de Petrolão, Odebrecht, respondendo a mais de cinco processos na Justiça Federal, e ele passou sem ter nada que sujasse o seu nome na política. Saiu quando foi preciso sair. É uma pessoa preparada. É uma pessoa muito competente, porque se não fosse não estaria conduzindo os seus negócios. E é uma pessoa que sabe fazer política, organizar partido. Têm muitas pessoas nesse estado que gostam dele. Ele trouxe muitos recursos para o Piauí. Mas, é preciso que ele tenha vontade. Uma vez ele demonstrando vontade certamente será um bom nome para o estado do Piauí. Eu fico feliz e com vontade de tê-lo como candidato a governador. Se ele for candidato, eu estarei junto com ele ajudando a fortalecer a oposição e trabalhando um futuro melhor para o Piauí. 


Fonte: Diário do Povo