16/04/2018 - 15:16
Créditos: Agespisa no radar da Lava Jato

Agespisa vira alvo da Lava Jato

Com a abertura do Sistema 'Drousys', PF entende o caminho de propinas em Teresina

Autor: Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, atendendo a pedidos da Polícia Federal liberou na última sexta-feira (13) o acesso irrestrito dos investigadores da Lava Jato ao 'Drousys', o sistema de contabilidade e comunicação do setor de propinas da Odebrecht. Toda a comunicação por emails da empreiteira e a liberação de recursos a políticos em todos os estados brasileiros eram compartilhados através do 'Drousys'. A liberação do acesso facilita as investigações em 80 inquéritos da Polícia Federal originados a partir da "Lista de Fachin" - nome dado a relação dos políticos investigados pela Lava Jato a partir das delações premiadas de executivos da Odebrecht. Em pelo menos 32 deles, os delegados federais responsáveis pela investigações solicitaram o acesso ao sistema da Odebrecht.



Subdelegação Teresina

Da forma como era estruturado o setor de propinas, usuários do sistema requisitavam as valores de caixa 2 ou propins para serem entregues aos políticos. Com a quebra do sigilo dos e-mails do sistema 'Drousys,' da Odebrecht, foram reveladas programações financeiras no ano de 2012 cujo destinatário tinha envolvimento com o então projeto de Subdelegação do Sistema de Abastecimento d'água de Teresina. A Polícia Federal identificou duas planilhas com quatro autorizações de repasses de dinheiro que totalizam R$ 750.000,00.




 

Pelo sistema Drousys, é possível identificar que os repasses de dinheiro, supostamente fruto de propina, tinham como destino a cidade de Recife, em Pernambuco, mas a obra relacionada era a 'Subdelegação Teresina'. O primeiro email, datado de segunda-feira, 23 de julho de 2012 às 11:07, enviado pelo usuário tulia@drousys.com para o destinatário Waterloo, que a Polícia Federal descobriu tratar-se do apelido de Fernando Migliacio da Silva, do setor de operações estruturantes - setor de propinas da Odebrecht - que acabou sendo preso durante a deflagração da 'Operação Xepa'. Na planilha anexa ao email, eram solicitados dois repasses, um cujo destinatário era o codinome 'tucano' no valor de R$ 100.000,00. A senha dessa propina era 'Alfinete'. O outro, cujo codinome do destinatário era 'patrão', no valor de R$ 250.000,00 com a senha 'tesoura'. Ao todo, R$ 350.000,00 foram autorizados, supostamente em propinas e entregues em Recife.

 

O segundo email, enviado pelo também usuário tulia@drousys.com, na sexta-feira 17 de agosto de 2012 às 16:57  havia uma planilha em anexo denominada "programacao por cidade (20 a 24.08.2012).htm". Nessa planilha constam mais R$ 400.000,00 em repasses relacionados à obra  "subdelegação Teresina". Um de R$ 150.000,00 para o codinome 'Tucano' com a senha 'Página' e outro de R$ 250.000,00 para o codinome 'Primo' com a senha nessa 'Folha'. O total repassado durante semana foi R$ 400.000,00, e a cidade de destino era a mesma, Recife, no estado de Pernambuco.



Com a permissão total de acesso aos sistema 'Drousys' para os agentes da Polícia Federal, as investigações nos estados devem avançar. Segundo a fonte da PF, agora, a Agespisa passa a entrar no radar da operação da Lava Jato e eleição de 2012 em Teresina também. Naquele ano, concorriam ao cargo de prefeito da capital do Piauí, o tucano Firmino Filho e Elmano Férrer. Para o projeto de 'Subdelegação' do sistema de abastecimento d'água de Teresina avançar, proposto naquele ano pelo Governo do Estado do Piauí, era preciso uma autorização do prefeito eleito naquele pleito. A subdelegação acabou ocorrendo cinco anos depois, no ano de 2017.



Desde o ano passado, a Agespisa já não opera mais o sistema de abastecimento d'água e esgotamento sanitário de Teresina. Através de uma subconcessão, que é o sinônimo de subdelegação, uma empresa privada é responsável por gerir o sistema na capital. A Prefeitura de Teresina é quem detém a concessão para explorar o serviço. Por um contrato, a Agespisa, por anos, detinha a concessão do município para executar o serviço, daí vem, as denominações subdelegação ou subconcessão, para justificar a exploração dos serviços  de água e esgoto por empresa privada. Agora, novas investigações podem levar a novos caminhos.