06/09/2017 - 09:36

Seguranças espancaram o engenheiro já desacordado

A testemunha teme represálias

Autor: Luciano Coelho

Uma testemunha ocular do espancamento do engenheiro Herbert dos Santos Matos Júnior, na avenida Presidente Kennedy, na frente da APCEF, por ocasião do jantar de adesão à Caravana Lula pelo Brasil, procurou o jornal Diário do Povo indignado com a agressão. Ele procurou a delegacia do 12º DP para prestar depoimento no inquérito que apura o fato.

Foi ele quem socorreu o engenheiro na hora do espancamento. A testemunha teme represálias e pela própria segurança, por isso pediu para não ter seu nome divulgado até receber de instituições públicas a garantia de sua vida. Vamos identificar apenas por testemunha G., porque teme represálias, disse que naquela noite foi ao supermercado com a família para fazer compras. No trajeto, presenciou o espancamento do engenheiro Herbert Matos. Segundo a testemunha, cinco ou seis homens cercavam Herbert, dois deles chutavam a vítima praticamente já desacordada.

Segundo ele, o fato ocorreu entre 21h30 e 21h45 da noite de sábado. De acordo  coma testemunha, policiais militares chegaram ao local, chamado por ele, a resposta que teria sido dada pelas autoridades diante das agressões foi: "não podemos fazer nada, deixa para lá, ele já está indo". Segundo seu relato, ele tentou ajudar e Herbert estava com medo de ser espancado ainda mais quando G. teria falado: "meu amigo não se preocupe, ninguém mais vai lhe bater ou roubar nada seu, fique calmo".

A testemunha disse que dava para ouvir o barulho dos chutes dos seguranças na barriga e cabeça do engenheiro Herbert: "A gente ouvia aquela 'zoada' seca que era como quando matava um boi no interior… que dava aquela machadada, a gente ouvia ele batendo na cara dele", e continua o relato: "eu fiquei todo sujo de sangue [quando colocou ele no colo], cheguei em casa fedendo a sangue, para mim eu estava ali por Deus, por uma dádiva de Deus, senão ele [Herbert] não tinha vivido”.

Pelo relato da testemunha G., Herbert Matos tinha bebido e não conseguia praticamente falar ou se mover: "Eu conversei com o filho dele, não falei com Herbert, nem no dia eu falei, ele estava bêbado e devido às pancadas, tinha desmaiado, tinha perdido os movimentos, meu filho que disse: 'pai, a barriga dele está mexendo". Era o sinal que Herbert Matos estava vivo.

Testemunha se emociona ao lembrar da noite do espancamento

Perguntado pelo repórter o que teria a dizer ao engenheiro Herbert Matos se encontrasse com ele, G. respondeu, sem conseguir conter a emoção e chorando ao telefone: "A única coisa que diria é que Deus me colocou no caminho dele naquele momento. E que graças a Deus, ele está vivo…fico imaginando aquilo acontecendo com um familiar meu, meu filho não dormiu naquela noite, disse 'pai, será que aquele homem morreu, pai?', concluiu.  O filho da testemunha é uma criança, menor de idade, e assistiu tudo enquanto o pai socorria a vítima.

Segundo o relato, G. ligou para a Polícia Militar, para o 5º BPM, onde a viatura de número 510 foi mobilizada para fazer o atendimento. “A PM não fez nada. Depois falei com o delegado Canabrava, que preside o inquérito, no 12º DP, para prestar depoimento”, relatou emocionado, dizendo que foi Deus quem lhe colocou no caminho de Herbert.

“Eu só estava tentando salvar uma vida. Não concordo com isso. O segurança tinha dito que ele tinha passado a mão na bunda de uma mulher. Isso não justifica um espancamento. Eu ajudei ele a levantar e fiquei todo melado de sangue. Ele saiu cambaleando e estava com medo de apanhar mais. Agora, nós também estamos com medo”, disse.

A testemunha ainda informou que ligou para o presidente do CREA-PI, Paulo Roberto, dizendo que foi ele quem socorreu Herbert.

“Eu fiz fotos de uma câmera da Secretaria de Segurança. Eu fiquei revoltado com dois segurança do tamanho de um gorila batendo no rapaz. Eles chutaram até na cara do rapaz. E tinham pelo menos uns cinco ou seis seguranças, mas apenas dois estavam espancando o engenheiro”, relatou.

Delegado colhe depoimento de testemunha que socorreu engenheiro

Ontem, a testemunha G. conseguiu contato com o delegado do 12º DP, Ademar Canabrava, para marcar o depoimento no inquérito que apura as responsabilidades do espancamento do engenheiro Herbert Matos Júnior.

G. também conseguiu manter contato com a família de Herbert e conversou com o filho dele, Paulo Matos. Ele informou que Herbert ainda não foi fazer o exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal, porque ainda está muito inchado e dolorido.  “Ele não tem condições ainda, mas acho que fará isso amanhã (hoje)”, informou a testemunha.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Povo, G. chorou ao contar como testemunhou o ocorrido. Disse que tem uma câmera de segurança do sistema guardião no local, mas não sabe se foi colhida imagens. Ele se mostrou religioso, e disse que acudiu Herbert porque viu ele ser covardemente espancado por dois de seis seguranças.