08/02/2018 - 08:09

Conselho Tutelar resgata adolescentes escravizados e abusados sexualmente

De acordo com o Conselho Tutelar, as vítimas moravam em uma residência que seria da acusada

Autor: Manoel José

Quatro adolescentes com idade entre 12 e 17 anos foram apreendidas na tarde de terça-feira (7), no município de Campo Maior, distante 80 km de Teresina. As adolescentes eram escravizadas por uma mulher que se diz ser 'profeta'. Ela seria a suposta dona de uma seita e foi identificada pelo Conselho Tutelar como Maria Ozana da Silva, de 37 anos. 

De acordo com o Conselho Tutelar, as vítimas moravam em uma residência que seria da acusada. Elas eram obrigadas a vender cocadas na cidade e outras seriam obrigadas a se prostituírem para arrecadarem dinheiro e se manterem no local. 

O conselheiro tutelar Julimar Santana disse que a mulher responsável pela seita fazia uma lavagem cerebral na cabeça dos pais e responsáveis dos adolescentes. Ela dizia que iria purificar os adolescentes e que teriam que obedecer às ordens dela para que assim os ensinamentos ficassem enraizados na cabeça das vítimas. 

Os adolescentes eram mantidos em cárcere privado e em algumas situações, segundo depoimento das vítimas, eles eram obrigados a caminharem longas distâncias. Certa vez, eles tiveram que caminhar de Teresina até Cocal de Telha. 

“As crianças ficavam comendo só cuscuz com água, pão com café. A alimentação deles era isso”, completou Julimar Santana. A Delegacia de Campo Maior abriu um inquérito para investigar o caso. Os policiais apuram se há mais crianças envolvidas.

O Conselho Tutelar foi acionado pelo pai de um dos adolescentes que estava no local e conseguiu fugir. O pai da vítima reside no Estado do Pará e se deslocou para Teresina, onde formalizou a denúncia. O adolescente voltou para seu estado de origem com o pai ainda na madrugada de quarta-feira (7).

Das outras três crianças, uma foi resgatada pela família e levada para Teresina, enquanto duas ficaram sob os cuidados dos conselheiros tutelares de Campo Maior. De acordo com Julimar Santana, o presidente do Conselho Tutelar de Campo Maior, os dois adolescentes se recusam a falar de onde vieram ou quem são suas famílias.

 


Fonte: Jornal Diário do Povo