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Matéria publicada: 19/04/2017 - 12:21

Funai possui apenas um funcionário no Piauí

O órgão está sob ameaça de extinção.

Autor: Claryanna Alves

No ano de 2011 foi instalada, no município de Piripiri, a 157km de Teresina, a primeira base da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Piauí. A criação da base no Estado veio como uma forma de afirmar a existência de povos indígenas no Piauí, que antes acreditava-se estar extintos.

Foto/Reprodução Internet 

Essa Coordenação Territorial Local (CTL) atende cerca de 100 famílias das três comunidades Itacoatiara, em Piripiri, Cariris, em Queimada Nova, e Codó Cabeludo, em Pedro II, que foram declaradas tribos indígenas no Estado.

Apenas seis anos após a conquista, o órgão vem sofrendo com a precarização e a diminuição nacional de seu reconhecimento. Romeu Tavares, atualmente único funcionário da Funai, conta que a causa indígena tem sofrido por falta de espaço. "Apenas o fato de eu ser único funcionário já fala por si só sobre a importância que dão para a causa indígena. É a Funai que tem a função de viabilizar a saúde e educação, além de promover e defender os direitos sociais do índio. Sem o órgão, os direitos dos índio vão sendo esquecidos", explica.

A preocupação com a causa indígena foi intensificada após um decreto nacional determinar o fechamento de 51 unidades da Funai no país, incluindo a do Piauí. De acordo com o cacique Cícero Dias, representante da tribo Tabajara Tapuio, o fechamento da Funai irá trazer diversos prejuízos para os índios. "Já estava difícil com a existência da Funai, agora com o fechamento as coisas tendem a piorar. A Fundação atende o Piauí todo, temos dificuldade de deslocamento, tudo é limitado. Agora perdemos o que conquistamos em 12 anos de luta. Repudiamos essa atitude do Governo Temer", conta.

A base do órgão no Piauí é subordinada à Coordenação de Fortaleza, assim como a unidade de Natal, Rio Grande do Norte. O também cacique Henrique conta que o Piauí já enfrenta um problema de sucateamento. "Os recursos estavam ficando cada vez menores. Diminuíram a quantidade de funcionários e os carros que a gente tinha acesso para irmos para Fortaleza, que é onde fica a nossa CTL. Precisamos de uma CTL mais próxima e não a extinção da Funai", reclama.

No início de abril, um grupo representando os povos indígenas do Estado foram até o Ministério Público Federal (MPF) para pedir intervenção no fechamento do órgão. "Está havendo tanto uma mobilização interna dos servidores dos CTLs que foram fechados como das comunidades indígenas que foram afetadas pelo decreto. Aqui no Piauí estávamos conseguindo apoio do Governador para atividades que visam a visibilidade, como a articulação do Primeiro Jogos Indígenas e museu. Mas nacionalmente o trabalho está sendo apagado", conta Romeu.


Fonte: Diário do Povo