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Matéria publicada: 20/04/2017 - 11:01

“Desafio” pode servir de gatilho para o suicídio, alerta especialista

O problema tem gerado preocupação a pais do mundo todo.

Autor: Capital Teresina

Tem ganhado a mídia casos de jovens que cometeram suicídio ao cumprirem o chamado “Desafio da Baleia Azul (Blue Whale)”. O Baleia Azul surgiu no ano de 2015 na Rússia, onde um grupo denominado '#F54' está sendo investigado por propor desafios que levam jovens a cometer suicídio. Naquele ano, foram levantados 150 casos que ocorreram predominantemente na Europa.

Foto/Reprodução Internet 

No Brasil, há casos de suicídio em investigação sendo associados ao jogo. Nesse desafio há uma progressão de tarefas que vão desde um simples pedido para fazer um desenho de uma baleia em um papel à automutilação. Chegando no 50°, o último desafio que sempre é o de tirar a própria vida.

A psicóloga Renata Bandeira conta que as pessoas que procuram esse desafio provavelmente já estão com algum problema e ele é usado como uma espécie de “gatilho”. "As pessoas que procuram esse desafio não estão no seu estado de saúde mental normal. E esse desafio é visto como um gatilho. O ato em si [suicídio] pode ser desencadeado por vários gatilhos, as vezes uma palavra errada de alguém ou algo que deixe a pessoa se sentindo mal. Esse jogo funciona como um terrorismo psicológico para essas pessoas", explica.

Alertando sobre o caso, a Prefeitura de Curitiba emitiu um aviso aos pais sobre o jogo. Na cidade, cinco suicídios estão sendo investigados, mas ainda sem confirmação sobre ter ou não relação com o jogo.

Em resposta, foi criado o jogo Baleia Rosa, que propõe desafios de valorização da vida. No site, é dito que se está "nadando contra esta maré, sabemos que a internet pode ser uma poderosa ferramenta para reverter este quadro. Acreditamos que todos têm a capacidade de ajudar outras pessoas e construir o bem. Espalhe a baleia rosa por onde você for! #baleiarosa".
 
Depressão

A psicóloga Renata Bandeira explica que atualmente a depressão atinge a população mais do que o câncer e que, antigamente, não se atingia ou se tinha essa ideia que a depressão atingia as pessoas porque era tratado como 'frescura', como 'doença de gente rica'.

Foto/Reprodução Internet 

"Os casos estão aumentando, mas a cabeça das pessoas também está mudando. Falamos muito em psicofobia, é o preconceito contra as pessoas que têm transtornos e deficiências mentais. Ao constatar algum caso, a gente sempre acaba ouvindo: 'Isso é frescura'. 'É falta de uma louça para lavar'. Mas é preciso se dar importância aos casos e buscar ajuda e tratamento", conta.

Renata diz ainda que pode ser difícil para a pessoa que está sofrendo de algum transtorno procurar ajuda. "Às vezes a própria pessoa não tem forças para conseguir ajuda. Quando pede ajuda é um pedido de socorro. Não só a depressão, mas para ansiedade também e outras doenças. São vários transtornos, alguns têm que ser tratados com medicamentos, pois o cérebro deixou de produzir hormônios que dão a sensação de felicidade", finaliza.
 
Valorização da vida

Para procurar ajuda, a pessoa pode buscar o Centro de Valorização da Vida (CVV) através dos telefones (86) 3222-0000 ou 188. O atendimento acontece diariamente da seguinte forma: aos sábados e domingos, de 10h às 22h, e de segunda a sexta de 6h às 20h.

A CVV existe há 55 anos e tem mais de 2 mil voluntários atuando na prevenção ao suicídio. O Brasil está entre os 28 países, de 160 analisados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que têm estratégias para esse trabalho de prevenção.


Fonte: Diário do Povo