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Matéria publicada: 20/03/2017 - 09:56

Surtos de viroses lotam hospitais e clínicas particulares em Teresina

Superlotação faz espera por atendimento chegar a 3 horas

Autor: Alline Vasconcelos

Em períodos de chuvas, os surtos de viroses são bastante comuns em Teresina. Com isso, os hospitais da cidade recebem um grande volume de pacientes em busca de auxílio médico a qualquer hora do dia ou da noite, sendo que as longas horas de espera são inevitáveis. Nem quem possui plano de saúde escapa da demora no atendimento em clínicas e hospitais particulares da capital.

Não é difícil encontrar pacientes que passaram de uma até três horas para conseguir entrar na sala médica em horários até então considerados mais tranquilos, como os turnos da noite e madrugada. A advogada Jaqueline Barros passou por esta situação no último final de semana com sua filha de apenas 5 anos de idade.

“Como ela tem problema de sinusite desde que nasceu, na hora que ela começa com febre eu já penso que seja outra crise e sempre a levo em uma clínica especializada que atende em regime de plantão, como os sintomas que ela me dizia ter era dor de cabeça e garganta, achei pertinente levá-la lá, e para meu espanto, quando cheguei na noite de domingo, tinha mais de 20 pessoas na frente dela para ser atendidas, um único médico e um único atendente. Chegamos lá por volta das 19h e saímos às 22h, com ela já inquieta de tanta espera”, relata Jaqueline Barros.

Situação parecida viveu o jornalista Francisco Filho com a filha de apenas 2 anos de idade. “Ela começou com esses sintomas de virose que está pegando em todo mundo, diarreia e mal-estar. Eu resolvi levá-la no hospital de urgência infantil que o plano de saúde cobre e quando chegamos lá fomos informados de que deveríamos voltar algumas horas depois, pois, pela quantidade de pessoas esperando por atendimento, ela iria demorar a ser atendida e, por isso, seria melhor aguardar em casa”, conta.

Além de Francisco e Jaqueline, vários outros usuários de planos de saúde da capital se queixam da precariedade do atendimento. A indignação é maior porque os valores das mensalidades cobrada pelos planos de saúde são altíssimos e atrasos são intoleráveis.

Para o diretor do Sindicato dos Hospitais do Piauí, Jefferson Campelo, o aumento na quantidade de pessoas nas clínicas e hospitais nesta época do ano é um problema sazonal. “São dois meses com esses problemas. Por conta dessas chuvas, o surto de virose já é algo esperado, porém, cada hospital possui a sua conduta para atender seus conveniados. O Sindhospi não tem nenhum tipo de ordem para fiscalizar ou regulamentar os atendimentos. A maior procura de pacientes deve levar os hospitais a aumentarem a sua oferta de serviço”, pontua o médico.

Indagado sobre a necessidade de aumentar a quantidade de profissionais atendendo nestes locais durante o período de surto, o diretor do Sindhospi afirma que “Quando passar o período desse surto, que é sazonal, esse aumento no número de profissionais atuando nos hospitais não será tão necessário porque a procura cai, e aí as empresas podem ficar prejudicadas, por ter um número de grande de médicos e baixa procura”, argumenta Jefferson Campelo.

Piauí  tem aumento no número de adesões a planos de saúde

Na contramão da tendência do país, o Piauí está entre os nove estados que apresentaram aumento de beneficiários em planos de assistência médica em janeiro em comparação com dezembro. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além do Piauí, os estados que também apresentaram crescimento em novas adesões a planos de saúde foram: Acre, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Roraima e Sergipe.

Ainda de acordo com os dados da ANS, janeiro foi o quinto mês consecutivo, em que os planos de saúde registraram queda do número de beneficiários. Segundo dados, o total de beneficiários dos planos de saúde no primeiro mês do ano ficou em 47.592.368, uma queda 192,2 mil beneficiários, ou 0,4%. Desde agosto do ano passado, os planos de saúde do país vêm perdendo clientes.

Já em relação aos planos exclusivamente odontológicos, o levantamento feito pela ANS mostra que houve aumento de aproximadamente 169 mil beneficiários, totalizando 22.209.112 usuários desse tipo de planos em janeiro. Alta de 0,77% na comparação com os 22.040.120 que tinham planos odontológicos em dezembro do ano passado.

Os planos coletivos (38.007.221) lideram o total de contratações dos planos de saúde, seguido pelos coletivo empresarial (31.534.854), individual ou familiar (9.364.517) e os coletivos por adesão (6.463.205). Em janeiro, a taxa de cobertura dos planos de saúde privados era de 24,54% da população. Ao todo, 818 operadoras estavam em atividade e elas disponibilizaram 17.786 planos.

Líder do mercado, a Amil registrou, em janeiro, queda de 0,34% no número de beneficiários. A Bradesco Saúde, segunda no ranking, também teve variação negativa no primeiro mês do ano. Já a Hapvida, a Notre Dame Intermédica Saúde e a Sul América, terceira, quarta e quinta do ranking dos planos de saúde, aumentaram o número de beneficiários no mês de janeiro.

Reajuste no valor do planos foi de até 13, 57%

O reajuste de planos de saúde individuais e familiares de até 13,57%, publicado ainda em junho do ano passado no Diário Oficial da União (DOU), é válido para o período de 1º de maio de 2016 a 30 de abril de 2017. A medida atinge cerca de 8,3 milhões de beneficiários, cerca de 17% do total de 48,5 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil.  

Para calcular o índice máximo de reajuste anual dos planos, é levada em consideração a média dos percentuais de reajuste aplicados pelas operadoras aos contratos de planos coletivos com mais de 30 beneficiários. O setor pedia a aplicação da variação de custos médicos, de 17% a 20%.

O reajuste de 13,57% é válido para os planos de saúde contratados a partir de janeiro de 1999, ou adaptados à Lei nº 9.656/98, segundo a ANS. Ele só pode ser aplicado a partir da data de aniversário de cada contrato. Se o mês de aniversário for maio ou junho, será permitida cobrança retroativa, nas mensalidades de julho e agosto.

Para os contratos com aniversário entre os meses de julho de 2016 e abril de 2017 não poderá haver cobrança retroativa. Mais uma vez o teto de reajuste fica acima da inflação. Em 2015, o reajuste máximo foi fixado em 13,55%. Em 2014, foi de 9,65%.

Rede privada afirma que superlotação é problema “pontual”

Procurados pela nossa equipe de reportagem, alguns hospitais e clínicas da capital emitiram nota de esclarecimento em relação às queixas apresentadas pelos usuários. De acordo com a administradora Elizete Alves, que trabalha em uma clínica de atendimento no setor de otorrinolaringologia, a lotação neste período é algo pontual.

“Esse aumento da demanda acontece porque os casos de gripe aumentam nesta época e como nós trabalhamos com os problemas das vias respiratórias superiores, e as gripes atingem essa parte do corpo, os pacientes recorrem a um otorrino, mas nós já estamos estudando a possibilidade de aumentar o número de médicos nos plantões noturnos e também estender o serviço para a nossa outra sede, localizada na zona Leste da capital, para descentralizar o atendimento”, explica.

Ela reitera que a clínica está atendendo por dia nos turnos de plantão cerca de 150 pacientes e que, em períodos não chuvosos o número de atendimento cai pela metade. O hospital conta com uma equipe de 10 médicos (7 na unidade do centro e 3 na unidade da zona leste) a cada turno de 12 horas durante o dia.

A direção do hospital Protomed também foi procurada pela nossa equipe e a assessora de comunicação apenas informou que: “O hospital trabalha dentro de sua capacidade e normalidade, não se fazendo necessário maiores esclarecimentos sobre o caso”. O hospital também não quis revelar números de atendimentos na justificativa de que essas informações são internas e a empresa está no seu direito de não revelar tais números.

O hospital Unimed também foi procurado pela nossa reportagem, mas até o fechamento desta edição, ninguém foi encontrado para falar sobre o caso e nem retornou as nossas ligações.


Fonte: Agência Brasil