17/04/2017 - 10:44

Brasileiro dedica em média apenas 5 horas por semana na leitura de livros

Preferências do brasileiro continuam sendo televisão, rádio e internet.

Autor: Allines Vasconcelos

Nativos digitais, geração Z, milenials ou globalists são algumas das definições dadas àquela geração que nasceu a partir dos anos 2000 e que faz parte de uma população que cresceu conectada. Para essas pessoas que incorporaram com naturalidade as novas tecnologias, elas integram suas vidas de formas mais significativas e presentes do que os livros físicos. 

Foto/Thiago Amaral 

É importante ressaltar, porém, que mais do que craques em tecnologia, os nativos digitais têm uma relação inédita com a informação. Dominando a internet, a geração anterior, chamada de Y, abriu caminho para que, além de consumidores, todos fossem produtores de conteúdo como hoje em dia já está normalizado com a difusão de blogs e canais no youtube. 

Mas a virtualização do universo da leitura e a migração do interesse da população jovem para mídias digitais vêm preocupando especialistas em relação ao hábito de ler livros físicos. Eles defendem que a consequência imediata dessa tendência é o abandono da leitura como prática das novas gerações.

Dados sobre a falta de leitura entre os jovens da população brasileira apontam que a preocupação com o tema tem fundamento. Em maio de 2016, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) admitiu que a manutenção do mercado editorial brasileiro era feita pelos livros de colorir, que até então movimentaram R$ 25,18 milhões. 

Segundo estudo recente britânico, o NOP World Culture Score Index, realizado pela agência NOP World para medir “hábitos de mídia” em 30 países, revelou que o Brasil se classificou na 27ª posição no ranking de leitura.

A pesquisa mostrou ainda que o brasileiro dedica, em média, apenas 5 horas e doze minutos por semana para a leitura de livros. Ao que parece, a preferência nacional é mesmo ver televisão (18 horas e quinze minutos) – neste quesito nos classificamos na oitava posição – e ouvir rádio (17 horas semanais).

O estudo mostrou ainda que o apetite do brasileiro para a internet é grande: por aqui se gasta em média 10 horas e trinta minutos semanais navegando com fins não profissionais, o que nos coloca na nona posição do ranking.

Escola da zona Sul estimula gosto pelos livros

Liza Mariana, coordenadora da escola Mariana, localizada na zona Sul de Teresina, conta que os alunos têm entrado em contato com os livros logo nas séries iniciais. “Aqui nós trabalhamos muito focados no tocante à leitura, ela faz parte do dia a dia das crianças e adolescentes em forma de projeto. Trabalhamos anualmente com uma gincana Literária, quando escolhemos o tipo de literatura e determinamos aos alunos que livros deverão ser lidos. Após meses de discussão e interdisciplinaridade (envolvendo todas as disciplinas), apresentamos o que foi aprendido em forma de gincana, envolvendo os alunos, pais e comunidade escolar em geral”, explica.

Foto/Thiago Amaral 

O objetivo, segundo Liza, é o de trabalhar com a leitura constantemente e estimular os pilares do processo educativo: aprender a fazer, aprender a pensar, aprender a ser e aprender a conviver; refletir sobre as funções da leitura, além de construir um maior conhecimento sobre os gêneros literários.

A coordenadora, que também é diretora de uma escola da rede municipal de educação, comenta que as diferenças entre a particular e pública são grandes. “Na rede municipal, trabalhamos com um programa de alfabetização que já vem pré-determinado. Os professores fazem formação e atuam de acordo com as orientações dadas pela Secretaria Municipal de Educação.  Além disso, eles podem trabalhar com projetos avulsos de leitura, mas poucos o fazem, já que a exigência em relação a cumprir o programa é muito grande”.

Diário do Povo viabiliza hábito de leitura entre alunos e família

Diante da grave crise nas escolas quanto à formação de leitores e do decréscimo da leitura entre os jovens e adultos, o jornal Diário do Povo desenvolveu o "Projeto Educação para a Vida – Jornal em casa e na escola”, que pretende aproximar alunos e suas famílias do hábito da leitura por meio do jornal. Por ser um meio de comunicação que traz assuntos atuais e apresenta vários gêneros textuais, o jornal é um recurso pedagógico que pode ser facilmente inserido no universo escolar, favorecendo, inclusive, a participação social por meio da leitura e a discussão de temas sociais urgentes.

O projeto foi desenvolvido com base nos dados críticos acerca da leitura no país. Segundo pesquisa realizada no ano de 2016 pelo instituto Pró Livro, 7% da população não teve uma pessoa que incentivasse a leitura em sua trajetória de vida, 44% não leem e 30% dos entrevistados nunca compraram um livro.

Pensando em contribuir para mudar essa realidade na capital, o Educação para a Vida abraçou a missão de fomentar o hábito da leitura e a formação de cidadãos mais conscientes de seu papel na sociedade por meio do acesso facilitado do jornal a crianças e adolescentes na faixa etária de 7 e 16 anos de idade.

A ideia é que os alunos de escolas públicas de Teresina, por meio do patrocínio de instituições e empresas privadas, recebam a assinatura do jornal em casa e uma vez por semana compartilham um dos jornais e discutam os mais variados temas em sala de aula. Com isso, tanto a escola quanto alunos e suas famílias terão acesso ao jornal e serão incentivados a discutir o que acontece em Teresina, no estado e no mundo.

Ao final de um ano, os alunos participarão de um concursos de redação e os três primeiros colocados serão premiados e terão suas redações publicadas nas páginas do Diário do Povo. A empresa apoiadora do projeto receberá, por sua vez, a chancela de Empresa ou Instituição Madrinha da Educação e poderá utilizar um selo em sua comunicação e dependências físicas durante todo o período em que apoiar o projeto, além de contrapartida em mídia nos exemplares durante um ano.

Jovens que amam ler, usam internet como ferramenta de busca

Indo na contramão dos dados sobre leitura no país, um grande número de jovens diz ter a leitura como hobby principal. A jovem Sarah Gomes faz parte deste grupo de adolescentes apaixonados por livros. Estudante do ensino médio, ela divide seu tempo entre escola, amigos e livros. Perguntada sobre esse amor pela leitura, ela explica que já gostava de livros antes mesmo de saber formar palavras.

Foto/Thiago Amaral 

“Bom, eu posso dizer que desde que eu comecei a ler, pequenininha mesmo, eu sempre gostei e antes de não saber, eu sempre pedia pro meu pai ler pra mim. Então é algo que eu sempre tive comigo desde que me entendo por gente, é como se eu pudesse viver várias vidas em uma só, sentir aquelas emoções. É realmente apaixonante, todas às vezes que eu leio um livro e o finalizo”, explica a jovem, que mora com a avó e o pai, em um bairro na zona Sul da capital.

Adolescente de classe média, Sarah possui um acervo de dar inveja a muito adulto. Seu quarto é repleto de estantes que abrigam 94 livros dos mais variados segmentos. A garota diz que ler uma média de 20 livros por ano, quase dois por mês, média bem acima da nacional e mais próxima dos indianos, que lideram o topo da lista mundial como a população que mais dedica seu tempo à leitura: são quase 10 horas por semana.

 Para adquirir os livros, Sarah conta que faz uma busca detalhada em sites da internet. “Eu recebo muito e-mail com as novidades dos livros e aí monto a minha lista de desejos. Com isso, vou atrás dos lugares com promoções e compro, geralmente, pela internet, pois eu encontro mais barato, até porque aqui em Teresina agora é que temos mais opções de livrarias. Também vou a sebos, onde posso trocar livros que eu não quero por outros ou comprá-los por um preço mais acessível”. 

Questionada sobre o empréstimo de seus livros, a jovem conta que é bastante tranquila e relação a isso. “Gosto de emprestar meus livros, porque assim eu incentivo a leitura a outras pessoas também. Adoro ver que os livros que eu empresto são porta de entrada para a Literatura na vida dos meus colegas”, frisa.

 Sarah conta que tem amigos também apaixonado pelos livros. “A maioria dos meus amigos tem o hábito de leitura assim como eu. Trocamos livros uns com os outros, nos presenteamos com livros”. Como toda adolescente, Sarah não dispensa o uso das redes sociais e associa o gosto pela leitura com as social media. “Há dois anos, eu gerenciava um perfil no Instagram dedicado à leitura, com resenhas e tudo o que me incentivava mais ainda a ler livros pra poder compartilhar com outras pessoas. Tive que abrir mão por conta dos estudos, já que as postagens e feedback com seguidores consumiam muito do meu tempo. No mais, eu gosto muito de canais do YouTube dedicados à resenhas e dicas de livros”, finaliza a garota que atualmente está lendo o livro ‘O Diário de Anne Frank’.
 


Fonte: Diário do Povo