02/02/2018 - 09:14

Religiões de matriz africana festejam Iemanjá nesta sexta-feira

Iemanjá está ligada à origem de várias divindades do universo religioso afro-brasileiro

Autor: Mariana Viana

 

Foto/Francisco Gilásio

Hoje (2), a partir das 16h, religiosos da tradição de matriz africana, como os umbandistas, se reúnem na avenida Marechal Castelo Branco para uma saudação a Iemanjá.  Ingrid Silva, representante do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), conta que o evento contará com diversas atividades, como música e dança. 

Toda essa manifestação cultural e religiosa acontece no dia dedicado a Iemanjá,  orixá que  tem seu nome diretamente ligado à origem de várias divindades que compõem o universo religioso afro-brasileiro. “Aproveitamos para convidar a todos para nossa festa. Ela acontecerá na frente da imagem de Iemanjá”, acrescenta Ingrid. 

Segundo a lenda, com o casamento do céu (Obatalá) e da terra (Odudua), nasceu Iemanjá e seu irmão Aganju. Ela passou a representar as águas e Aganju foi a divindade responsável pelo controle das terras. Da união ocorrida entre ambos nasceram os primeiros orixás a habitarem a terra.

Entre seus filhos, Orungã nutria uma paixão desmedida pela própria mãe, representando na mitologia africana uma posição semelhante a que Édipo Rei ocupa na mitologia clássica. 
Iemanjá também é vista como a divindade que exerce domínio sobre todas as águas. Nos rituais brasileiros, ela aparece com vários nomes entre os quais se destacam Mãe-D’Água, Sereia, Iara, Rainha do Mar e Janaína. No ritual angolano, as águas do mar são representadas por uma divindade equivalente chamada de Quissimbe ou Dandalunda. Já no rito jejê, esse mesmo tipo de deus aquático aparece com o nome de Abe, a estrela que caiu nos mares.

Por outro, ao ter dado origem a tantos outros poderosos orixás, Iemanjá também tem a sua figura ligada ao signo da maternidade. Sua natureza fértil acaba influenciando na construção de uma imagem em que as medidas do corpo são alargadas para que se reforce a capacidade de gerar a vida dentro de si. Assumindo o sentido materno, ela também é reverenciada como uma importante divindade para aqueles que buscam consolo e proteção a fim de enfrentar os problemas da vida presente.

O Cenarab, Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira, foi fundado por religiosos da tradição de matriz africana, em 1991, na cidade de São Paulo-SP. De lá pra cá, no rol de suas ações, é possível destacar o investimento da instituição na formação de lideranças como forma de combater a intolerância religiosa, o preconceito e a discriminação.

Para o CENARAB fortalecer as comunidades tradicionais, impulsando sua organização, é a melhor forma de colocá-las na rota da discussão racial, privilegiando o debate de ideias como forma de eliminar o preconceito.

O Cenarab encontra-se, hoje, organizado em 18 Estados da Federação, inclusive o Piauí, com diretorias estaduais independentes e autônomas, organizando as Comunidades Tradicionais de matriz africana e propondo políticas públicas nas diversas esferas do poder público constituído.


Fonte: Diário do Povo