Fonseca Neto
16/03/2017 - 10:31

Que vésperas de Carnaval são essas da camarilha em danação...
Governo golpista faz comercial e chama empresas norte-americanas para virem comprar barato o que sobrou da Petrobras. 
Legaliza-se a entrega para estrangeiros de terras da Nação, o mais importante ativo de sua existência, razão de certa intenção de modernidade que criou o Brasil.  
Empresários podres de ricos, ladrões, na morada! curitibana, vendem delações contra o lulismo, mercado vergonhoso para aniquilar as artes do filho de Caetés. 
Descarrilhado o trem da economia do Brasil para fazerem o Golpe, sócios políticos da fome e desemprego, fazem retornar milhões de patrícios à danação famélica.
A ligeireza da direita golpista – claro, tem direita que não é! – coloca no STF mais um dos seus homens de confiança do momento; bem recebido lá. 
 Prisioneiro por roubo faz nomeação para o Ministério da Justiça – escreva-se: “ministério da justiça”. 
Comando policial de extrema-direita no ES toma o poder, de fato, e o Exército na rua “defende a sociedade”, mostra a câmera golpista. 
Chefe dos promotores da República procura polícias internacionais para devassarem empresas brasileiras. 
Impostor da República cria Ministério para proteger um gato golpista que Brizola, inzoneiro da brasilidade, chamou de Angorá. 
E o genro do dito Angorá, suprema negociata, claramente ilegal, preside a Câmara, para, depressa, sabotar a CLT, Sistema Previdenciário...
Golpistas de proa “adoecem” e aproveitam o Carnaval, verdadeiro, para simularem um pretendido esquecimento de seus nomes borrados.
Em êxtase credo-ideológica, “convictos”, uns traidores fanáticos do mestre de Nazaré, brancos, de extrema-direita, e sectários de um cristianismo das sombras medievas.
Polícia e chefes golpistas, Recife e Salvador, invadem barracões de blocos contra a saída de charangas denunciadoras da impostura. 
Chefe empresarial da área de óleo e gás, neste fim semana, em jornal: “fomos iludidos e traídos” pelo Impostor. Arre! Reconhece o Golpe?
Médico diz que empresas privadas que vendem tratamento premiam os colegas que geram mais lucro com requisição de exames e internações. 
Ex-presidente do STF, no Estadão, denuncia lavajateiros de “espetacularização” e diz: se querem “biografia”, deixem o Jus, e façam “política” como políticos.
Deposto preventivamente, vésperas do ano eleitoral suposto, Lula da Silva encabeça pesquisa presidencial: a direita, e fascistas em geral, entram em transe de ódio.
E o Mineirinho, chefe golpista, blindadão, flana, na putrefata arena, operando, com o Santo, o desmanche do Estado Social para a vitória neoliberal total. 
O governo legítimo derrubado, e no silêncio midiótico, as ruas que, faltando-lhe ao encontro, abriu alas ao golpismo em festa: quando levantarão vermelhas? 
Organizações do movimento popular, desaprendidas do enfrentamento com o K, num outono insólito, lamentam o fim da primavera de liberdade e direitos.  
É Carnaval... Vejo imagens pelas mídias não golpistas de manifestações de descontentamento, parcas. Incrível, na brincação, um revide.    
Eis, nesse repertório de apontamentos, um rol que deveria envergonhar os brasileiros medianos. Que nada! Iludidos, ou não, como massa de manobra, espécie de servidão voluntária à “casa grande”, incorrem numa aceitação absurda das agressões a direitos que outras gerações adotaram como regra de convivência coletiva na vida nacional. 
São todas questões velhas, como que inderrogáveis, de volta à pauta. Mas agora já não existem Nabuco, Bomfim, Chiquinha, Sérgio, Gilberto, Berta, Sodré, Faoro, Helder, Anísio, Lélia, Ariano, Darcy, Arns, Celso, Luiza, Caio, Milton, ... Figuras que deram a vida em troca da feitura de um Brasil decente, justo e livre. 
Reina, no entanto, o Brasil da interdição da decência; triunfa o “jeitinho”, ordinário. Do não dito: e não foi um chefe graúdo da coligação golpista, de ontem e de hoje, que disse que suas empresas de comunicação influenciam mais pelo que “não diziam”? Do não dito, e do redito, este para astuciar o enredo golpista. 
Dance o Carnaval, Brasil! É certo que mais amargosa será a ressaca advinda do roubo da soberania popular e fim de direitos civilizantes.