Entre Linhas
03/04/2016 - 04:05
Básico Básico

Acabo de ler a postagem do meu acrofriend Demetrios Galvão (http://cidadeverde.com/janelasemrotacao/76099/a-poesia-como-antidoto) e vejo que a coisa tá ficando cinza. Fazia tempo que os professores de História não eram tão cobrados a se posicionar como hoje. Se você é do PT, PSDB, PQP, P-SOL ou qualquer linha partidária, não sei... o fato é que estamos cada vez mais fincados numa posição política em tempos de golpe. 
Confesso que não sigo nenhuma dessas linhas, mas acredito que a tolerância e a valorização pelo espírito democrático nos obriga a seguir uma tendência, como forma de proteger o jogo político livre. 
Votei na Dilma, não porque goste dela, pois discordo da sua gestão diante da população indígena, do massacre sistemático à educação e sua filiação com nomes sujos historicamente, mas não posso deixar de compartilhar que os canalhas à sombra do poder querem derrubar uma mulher que não cometeu crimes (desde que sejam devidamente comprovados), assim como os demais políticos com a ficha manchada pela corrupção. Não sabe perder? Espera o mandato dela acabar e participe do processo com dignidade, através do voto popular. Insisto em dizer que o nosso grande problema é que, desde a gênese da República, fomos "educados" a não compreende-la politicamente, basta assistir a TV ou ler os escritos de José Murilo de Carvalho. 
O que falta para esse grupo de reacionários é ter uma visão ampla e revisionista sobre a história do nosso país. Precisamos entender que a dinâmica dos perdedores é usar o GOLPE como ferramenta do atropelo, da rasteira, do jogo sujo. Não é de hoje que assistimos esse circo de horrores. A novela é longa e sinistra.
Quantos Carlos Lacerda ainda veremos encenar o teatro da má-fé? Por quanto tempo a Veja/IstoÉ vão persistir com sua lógica da burrice e do terrorismo midiático? Quantas tentativas de golpe veremos ressurgir desde Vargas? Quantas vozes, como a de Jango serão caladas, para não "sujar as botas de sangue"?
Em busca de uma compreensão da nossa história estou revendo alguns pensadores que abrem o horizonte para a reflexão: "como viemos parar aqui"? 
Então, acredito que, para a gente saber de que lado ficar, vale a pena LER sobre os golpes e contra-golpes que a história do Brasil sofreu, para que possamos falar com mais propriedade e cautela, para defendermos a dignidade dos poucos políticos que talvez ainda existam para limpar a lama que está jogada aos nossos pés. 
Nada mais urgente que ler JOSÉ AUGUSTO RIBEIRO, o biógrafo de Tancredo Neves. Ele conta a história política do país na ótica de um dos maiores articuladores e conciliador da democracia.
A tese é que o fantasma do golpe está enraizada na política muito antes de 1964, no qual Tancredo foi testemunha ocular das cortinas de fumaça e sempre lutou para apagá-la.
Precisamos nos espelhar no espírito do diálogo, tão presente nas suas estratégias políticas, que construiu o cenário para o CÉU ABERTO da redemocratização. A democracia é o palco para suprimir o ódio, racismo, homofobia, agressão, calúnia e qualquer textura de violência. 
Precisamos entender as matrizes que tornaram o Brasil o nosso abismo/esperança e a A NOITE DO DESTINO ilumina essa questão, com uma forte certeza de que a preservação da legalidade é o eixo fundamental para construir um Brasil oxigenado pela coerência. Vamos ler e agir. Escolher nosso lado e lutar por ele. Qual é o seu? Estamos acreditando na democracia e A NOITE DO DESTINO está claramente definida: NÃO VAI TER GOLPE.