Entre Linhas
14/04/2016 - 22:26
Noiva Noiva

O projeto Micro Narrativas está caminhando para 2017 com muitas histórias e parcerias valiosas. A primeira fase das jornadas e estudos de personagem está na mão do meu amigo Joniel Santos Silva, que irá compor o universo que estou trabalhando com cinco criações que estão ficando lindas! Meus próximos convidados para rabiscar esse processo criativo estarão em breve na ativa. Já adianto com alegria que teremos a presença do querido/versátil Gustavo Morais, autor de Privilégios e Teto Quadro Chão. Abaixo Joniel já apresenta os primeiros estudos de Noiva, a segunda micro-narrativa em andamento no projeto. Vamos seguindo!

03/04/2016 - 04:05
Básico Básico

Acabo de ler a postagem do meu acrofriend Demetrios Galvão (http://cidadeverde.com/janelasemrotacao/76099/a-poesia-como-antidoto) e vejo que a coisa tá ficando cinza. Fazia tempo que os professores de História não eram tão cobrados a se posicionar como hoje. Se você é do PT, PSDB, PQP, P-SOL ou qualquer linha partidária, não sei... o fato é que estamos cada vez mais fincados numa posição política em tempos de golpe. 
Confesso que não sigo nenhuma dessas linhas, mas acredito que a tolerância e a valorização pelo espírito democrático nos obriga a seguir uma tendência, como forma de proteger o jogo político livre. 
Votei na Dilma, não porque goste dela, pois discordo da sua gestão diante da população indígena, do massacre sistemático à educação e sua filiação com nomes sujos historicamente, mas não posso deixar de compartilhar que os canalhas à sombra do poder querem derrubar uma mulher que não cometeu crimes (desde que sejam devidamente comprovados), assim como os demais políticos com a ficha manchada pela corrupção. Não sabe perder? Espera o mandato dela acabar e participe do processo com dignidade, através do voto popular. Insisto em dizer que o nosso grande problema é que, desde a gênese da República, fomos "educados" a não compreende-la politicamente, basta assistir a TV ou ler os escritos de José Murilo de Carvalho. 
O que falta para esse grupo de reacionários é ter uma visão ampla e revisionista sobre a história do nosso país. Precisamos entender que a dinâmica dos perdedores é usar o GOLPE como ferramenta do atropelo, da rasteira, do jogo sujo. Não é de hoje que assistimos esse circo de horrores. A novela é longa e sinistra.
Quantos Carlos Lacerda ainda veremos encenar o teatro da má-fé? Por quanto tempo a Veja/IstoÉ vão persistir com sua lógica da burrice e do terrorismo midiático? Quantas tentativas de golpe veremos ressurgir desde Vargas? Quantas vozes, como a de Jango serão caladas, para não "sujar as botas de sangue"?
Em busca de uma compreensão da nossa história estou revendo alguns pensadores que abrem o horizonte para a reflexão: "como viemos parar aqui"? 
Então, acredito que, para a gente saber de que lado ficar, vale a pena LER sobre os golpes e contra-golpes que a história do Brasil sofreu, para que possamos falar com mais propriedade e cautela, para defendermos a dignidade dos poucos políticos que talvez ainda existam para limpar a lama que está jogada aos nossos pés. 
Nada mais urgente que ler JOSÉ AUGUSTO RIBEIRO, o biógrafo de Tancredo Neves. Ele conta a história política do país na ótica de um dos maiores articuladores e conciliador da democracia.
A tese é que o fantasma do golpe está enraizada na política muito antes de 1964, no qual Tancredo foi testemunha ocular das cortinas de fumaça e sempre lutou para apagá-la.
Precisamos nos espelhar no espírito do diálogo, tão presente nas suas estratégias políticas, que construiu o cenário para o CÉU ABERTO da redemocratização. A democracia é o palco para suprimir o ódio, racismo, homofobia, agressão, calúnia e qualquer textura de violência. 
Precisamos entender as matrizes que tornaram o Brasil o nosso abismo/esperança e a A NOITE DO DESTINO ilumina essa questão, com uma forte certeza de que a preservação da legalidade é o eixo fundamental para construir um Brasil oxigenado pela coerência. Vamos ler e agir. Escolher nosso lado e lutar por ele. Qual é o seu? Estamos acreditando na democracia e A NOITE DO DESTINO está claramente definida: NÃO VAI TER GOLPE.

30/03/2016 - 01:36
Marvel/Netflix Marvel/Netflix

A segunda temporada de Demolidor entusiasmou a todos.
A trama desregula os batimentos cardíacos e vai deixar a gente na expectativa por mais um ano. Um sofrimento que vale a pena esperar, pois a Marvel/Netflix estão fazendo um trabalho sensacional. 
Nenhum personagem foi suprimido ou excedido nas suas participações. Tudo muito equilibrado, sem falar da maturidade de Elden Henson, como Foggy, do ressurgimento avassalador de Wilson Fisk e da revelação: Justiceiro.
Como não ficar assombrado com o cruzamento entre Tentáculo, Elektra, Fisk e Justiceiro?! Doideira que veremos ser desenrolada só em 2017.
Oremos, palavra da salvação.

28/03/2016 - 01:46
Estréia: 25/03/2016 Estréia: 25/03/2016

O TEMPO É UM BÁLSAMO PARA AS FERIDAS
 
Não é a primeira vez que Alceu Valença aventura-se pelas telas do cinema. Em 1981, foi a estrela de "Amanhecendo", do famigerado cineasta Jomard Muniz de Britto. Agora ele surge como diretor do longa "A Luneta do Tempo". O filme é um western onírico, centrado em dois eixos de conflito: Maria Bonita/Lampião e o circo mambembe.
No primeiro momento da obra ficamos imersos numa belíssima poesia visual-sonora, um verdadeiro bang-bang entre as tropas policiais de Getúlio Vargas e os cangaceiros no sertão, guiada pelas canções de Alceu, contribuindo para redefinir a paisagem sonora em torno da temática, já consagrada por "Corisco e Dadá" (1996), de Rosemberg Cariry.
É um filme onde a violência, honra e amor se cruzam com leveza, na busca pela investigação do microcosmo e do mistério que habitam no coração dos homens e mulheres nas profundezas do Brasil.
É preciso levar em consideração alguns aspectos que deixam o filme com alguns problemas de condução narrativa, pois o roteiro é bastante entrecortado, com muitas cenas inconclusas, abrindo para outras ações que não foram bem resolvidas anteriormente. Muitos fades são utilizados para demarcar passagens de tempo, deixando a história um pouco cansativa, o que provoca um certo cansaço no espectador, formando um quebra cabeça confuso na relação entre os personagens.
Confesso que me esforcei para sentir atração pelo elenco, mas a fragilidade dos atores em assumir seus personagens dificultou essa conexão, tornando suas performances pouco convincentes, o que cheguei a pensar que provavelmente poderiam ser artistas em começo de carreira, a não ser pela ótima atuação de nomes experientes como Hermila Guedes (Maria Bonita), Irandhir Santos (Lampião) e do próprio Alceu Valença (Velho Quiabo), que emociona no papel de palhaço, mas sua presença frequente no final do segundo ato do filme ficou desgastada pra mim.
Percebo que o fôlego do início vai perdendo força, mas Irandhir e Hermila conseguem segurar e manter o filme sintonizado até o fim, aberto e com uma sensação de incompletude.
O esforço de Alceu é válido, pois há 14 anos luta para realizar esse filme que, mesmo com falhas na sua concepção geral, é um belo presente aos nossos olhos, pois sua força musical é valiosa. Uma partitura afetiva e uma declaração de amor do cantor pelas lendas que movem o imaginário nordestino. O mais triste é ver a sala de cinema com apenas 10 pessoas...

Entre Linhas

Ciclista, articulador audiovisual, Pesquisador independente de cinema brasileiro, Professor de História. Acredita que a paz em Gotham City é possível...