Editorial
17/10/2016 - 06:00

Tribunais de Conta, Controladorias, Ministério Público, Polícias e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras são os principais órgãos de combate à corrupção no Brasil. Após a Lava Jato, pelo menos superficialmente, o nosso país está sendo passado a limpo. Um esforço conjunto desses órgãos levou à prisão de poderosos do meio empresarial e político. Muitos outros continuam impunes.

De 2010 a 2016 o Piauí é o estado brasileiro com o maior número de inquéritos policiais por improbidade adminsitrativa sob a jurisdição do Ministério Público Federal e a Polícia Federal. O mesmo trabalho realizado por esses órgãos é feito pela Ministério Público Estadual e pela Polícia Civil. Ou pelo menos deveria.

Apesar do esforço isolado de alguns membros dessas instituições, comos os promotores Fernando Santos e Leida Diniz, pouco são os crimes de colarinho branco que tiveram suas investigações conluídas, os autores processados, condenados e cumprindo pena.

Se o Brasil é um dos países mais corrptos do mundo, o Piauí, infelizmente, não deve ocupar uma posição agradável no cenário nacional. Mas não existem informações acessíveis sobre o assunto. É quase um tabu, como é a própria conduta jornalística de denunciar a corrupção.

Com 224 municípios, incluindo a Capital, vez por outra, em raríssimos casos, uma ou outra cidade torna-se objetivo de denúncia e investigação. Condenações são ainda mais raras.

Sem recursos, Ministério Público e Polícia Civil fazem um verdadeiro milagre. E sofrem constantemente, interferência de membros de outros poderes.

É preciso unir esforços com o melhor que existe dessas instituições e do jornalismo investigativo. Os municípios do Piauí precisam se desprender da escravidão que é a corrupção sob qualquer forma.

As notícias de compra de votos nesta eleição despertou a atenção das redes sociais. É evidente que milhões foram derramados nas campanhas de candidatos que, tendo ganhado ou não, se utilizaram de métodos nada republicanos para obter suas votações. As excessões foram ainda mais raras este ano. A Lava Jato pode ater ter amedrontado os corruptos, mas não inibiu as suas atuações.

A sociedade clama por uma força-tarefa de combate à corrupção nas cidades piauienses. Da maior cidade, que é Teresina, ao menor dos municípios. NInguém está livre desta doença que corroe as finanças públicas. É preciso acordar para o que está acontecendo.

Se as gerações anteriores falharam nessa tarefa, a esperança está na geração atual que começa a atuar nos poderes republicanos e na imprensa. E precisam agir, antes que também sejam contaminados.