Editorial
01/04/2016 - 08:54

Foto: Reprodução


A debanda dos peemedebistas do governo é fato inédito na política brasileira, porque pela primeira vez, um presidente da nossa República governa o país sem a presença maciça de correligionários desse partido, que é um dos mais antigos do Brasil. Originado do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), eles sempre participaram de todos os governos federais desde a sua origem.

Dono da maior bancada na Câmara Federal, cerca de 68 deputados, a sigla ocupava uma fatia considerável dos cargos e postos de trabalho na capital federal. Há quem diga que são mais de 15 mil no Congresso Nacional (Câmara e Senado) e mais cerca de 560 mil distribuídos pela Eletrobrás, Petrobrás e entre tantas outras estatais.

Uma olhada na história política vai nos permitir observar que os dois cargos de Presidente da República já ocupados pelo PMDB não foram frutos de uma eleição, porque nunca venceu uma.

 José Sarney tornou-se presidente por causa da morte de Tancredo Neves, de quem era vice-presidente. Itamar Franco foi presidente porque era vice de Fernando Collor, que renunciou ao cargo para não sofrer impeachment. Se Dilma for deposta do cargo, Michel Temer assumirá automaticamente. Sorte? Coincidência?

Apesar do grande número de peemedebistas debandados, Dilma ainda tem apoio de grandes cacifes do partido como o ex-presidente José Sarney e o presidente do Senado Renan Calheiros, que permanecem neutros diante da decisão da maioria.

Há quem diga que a saída do PMDB do governo pode ser o primeiro passado para o país sair da crise. Se há verdade nisso, ainda não é possível dizer… é esperar.