Editorial
17/04/2018 - 07:57

Na última  sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin liberou o acesso total e irrestrito ao sistema de contabilidade de propinas da Odebrecht aos delegados da Polícia Federal que conduzem cerca de 80 inquéritos da Lava Jato. A medida da um novo vigor a maior operação contra corrupção no Brasil, levando aos estados brasileiros uma série de desdobramentos pelos quais a sociedade aguardava ansiosamente. É um desses desdobramentos ocorre justamente no Piauí. A força-tarefa da Lava Jato no nosso estado passa a ter acesso a informações que podem se tornar esclarecedoras e cujos primeiros sinais já podem ajudar a desvendar como a Odebrecht operava o esquema de corrupção no Piauí.


Os primeiros indicativos começam a surgir a partir de dois anos mais, um de julho e outro de agosto de 2012 enviados a partir do sistema de controle da contabilidade das propinas da empreiteira o “Drousys”.

Um análise da Polícia Federal aos dois e-mails e suas planilhas anexas pode revelar o que estava por trás do Projeto de Subdelegação do sistema de abastecimento d’água e esgotamento sanitário apresentado naquele ano pelo Governo do Estado. É o por quê de o Projeto de Subdelegação constar na planilha de propinas com repasses que alcançaram o montante de R$ 750.000,00 naquele ano, cujo dinheiro estava destinado a codinomes como “tucano” , “primo” e “patrão “.

Existe uma agulha no palheiro que somente agora a Polícia Federal e o Ministério Público Federal podem localizar em meio à tantas informações da Lava Jato. Ao que tudo indica, existem informantes dispostos a ajudar a elucidar tais planilhas e informações.

Diante de um Brasil que é passado a limpo, nada mais justo do que também passar a limpo o Piauí e Teresina.
 

Tem algo de errado nas relações políticas do Piauí, e esse ponto de interesse em comum faz com que políticos outrora adversários ou de posturas ideológicas antagônicas estejam nessa eleição remando juntos sobre um mar de lama que eles mesmos produziram. Nada, senão a tentativa de sobreviver a Lava Jato, justifica parcerias tão esdrúxulas politicamente é capaz de juntar integrantes do PT e PSDB.
 

A sociedade piauiense precisa de uma nova geração de políticos comprometidos com um novo futuro. Não a repetição dos mesmos erros. Que a Lava Jato cumpra o seu papel no Piauí. Precisamos acreditar na força das instituições. Sem elas, não existiria mais democracia. Porém, é preciso intensificar o combate à corrupção. Há tempo a democracia no nosso estado está ameaçada pelo poder econômico gerado por uma classe política corrupta. Está na hora de ajudar o MPF e Polícia Federal, num pacto para salvar o estado.

 

Editorial

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