Editorial
18/10/2016 - 06:00
Violência Violência

Cerca de 12 milhões de pessoas estão desempregadas no Brasil. O cenário é trágico para quem precisa sustentar um lar e sobreviver dignamente. Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e com a propriedade de quem foi também Ministro da Fazenda, alertou num debate promovido pela Revista Piauí que até o final do ano, 15 milhões estarão desempregados no país. O número supera a população da maior cidade brasileira: São Paulo. Não é difícil imaginar as consequencias disso, mas talvez a maior delas seja o aumento da violência.

E para completar o cenário, as duas fações criminosas, PCC e Comando Vermelho que comandam presídios, o tráfego de drogas e a criminalidade nas maiores cidades brasileiros anunciaram o fim de uma trégua que já durava 20 anos. As previsões são de mais violência.

Num cenário onde os estados estão, em sua maioria falidos, como é o caso do Rio de Janeiro onde, após 10 anos à frente da Secretaria de Segurança, Beltrame, o criador das Unidades de Polícias Pacificadoras, pediou demissão do cargo em razão da incapacidade daquele governo de pagar os salários dos policiais.

O Piauí vive uma onda de assaltos a caixas eletrônicos e a bancos. O aumento da criminalidade é sentido diariamente pela população e não é mais privilégio das maiores cidades piauienses, o interior já sofre com a violência. 

O que podemos esperar dos próximos dias no Brasil é o aumento da pressão popular em todos os setores. Economia frágil, ambiente político hostil, insegurança, desemprego. Parece que acordamos de um sonho e adormecemos num pesadelo.

É hora do nosso país acordar novamente.

17/10/2016 - 06:00

Tribunais de Conta, Controladorias, Ministério Público, Polícias e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras são os principais órgãos de combate à corrupção no Brasil. Após a Lava Jato, pelo menos superficialmente, o nosso país está sendo passado a limpo. Um esforço conjunto desses órgãos levou à prisão de poderosos do meio empresarial e político. Muitos outros continuam impunes.

De 2010 a 2016 o Piauí é o estado brasileiro com o maior número de inquéritos policiais por improbidade adminsitrativa sob a jurisdição do Ministério Público Federal e a Polícia Federal. O mesmo trabalho realizado por esses órgãos é feito pela Ministério Público Estadual e pela Polícia Civil. Ou pelo menos deveria.

Apesar do esforço isolado de alguns membros dessas instituições, comos os promotores Fernando Santos e Leida Diniz, pouco são os crimes de colarinho branco que tiveram suas investigações conluídas, os autores processados, condenados e cumprindo pena.

Se o Brasil é um dos países mais corrptos do mundo, o Piauí, infelizmente, não deve ocupar uma posição agradável no cenário nacional. Mas não existem informações acessíveis sobre o assunto. É quase um tabu, como é a própria conduta jornalística de denunciar a corrupção.

Com 224 municípios, incluindo a Capital, vez por outra, em raríssimos casos, uma ou outra cidade torna-se objetivo de denúncia e investigação. Condenações são ainda mais raras.

Sem recursos, Ministério Público e Polícia Civil fazem um verdadeiro milagre. E sofrem constantemente, interferência de membros de outros poderes.

É preciso unir esforços com o melhor que existe dessas instituições e do jornalismo investigativo. Os municípios do Piauí precisam se desprender da escravidão que é a corrupção sob qualquer forma.

As notícias de compra de votos nesta eleição despertou a atenção das redes sociais. É evidente que milhões foram derramados nas campanhas de candidatos que, tendo ganhado ou não, se utilizaram de métodos nada republicanos para obter suas votações. As excessões foram ainda mais raras este ano. A Lava Jato pode ater ter amedrontado os corruptos, mas não inibiu as suas atuações.

A sociedade clama por uma força-tarefa de combate à corrupção nas cidades piauienses. Da maior cidade, que é Teresina, ao menor dos municípios. NInguém está livre desta doença que corroe as finanças públicas. É preciso acordar para o que está acontecendo.

Se as gerações anteriores falharam nessa tarefa, a esperança está na geração atual que começa a atuar nos poderes republicanos e na imprensa. E precisam agir, antes que também sejam contaminados.

18/04/2016 - 18:07

O Brasil viveu um dia histórico nesse domingo(17): a votação para decidir a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma. O próprio impeachment, para os menos entendidos. Mas não, a votação foi apenas o primeiro round da queda de braço entre governistas e não governistas.

A votação no Senado será o próximo passo nesse processo, que já dura cerca de um ano. A votação de ontem revelou o outro lado da política: o lado sóbrio da trairagem, da "crocodilagem". Foi um momento histórico, é bem verdade, mas também hilário, cômico e trágico.

Declarações de amor, felicitações por aniversário de filho de parlamentar, anúncio de nascimento de familiar e tantas outras manifestações, totamente descabidas e inoportunas.

O governo perdeu esse primeiro embate, e busca força para se reerguer e enfrentar o que está por vir. Entre os vencidos paira um silêncio assustador. É preciso muita calma nessa hora.Como bem opinou um experiente jornalista político agora não é mais momento de negociação, mas de convencimento.

O país acordou dividido entre vencidos e vencedores que apostam na próxima vitória: o tiro de misericórdia na primeira mulher a presidir a República brasileira.o cenário é confuso, ainda não é seguro fazer previsões, mas quem viver, verá.

01/04/2016 - 08:54

Foto: Reprodução


A debanda dos peemedebistas do governo é fato inédito na política brasileira, porque pela primeira vez, um presidente da nossa República governa o país sem a presença maciça de correligionários desse partido, que é um dos mais antigos do Brasil. Originado do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), eles sempre participaram de todos os governos federais desde a sua origem.

Dono da maior bancada na Câmara Federal, cerca de 68 deputados, a sigla ocupava uma fatia considerável dos cargos e postos de trabalho na capital federal. Há quem diga que são mais de 15 mil no Congresso Nacional (Câmara e Senado) e mais cerca de 560 mil distribuídos pela Eletrobrás, Petrobrás e entre tantas outras estatais.

Uma olhada na história política vai nos permitir observar que os dois cargos de Presidente da República já ocupados pelo PMDB não foram frutos de uma eleição, porque nunca venceu uma.

 José Sarney tornou-se presidente por causa da morte de Tancredo Neves, de quem era vice-presidente. Itamar Franco foi presidente porque era vice de Fernando Collor, que renunciou ao cargo para não sofrer impeachment. Se Dilma for deposta do cargo, Michel Temer assumirá automaticamente. Sorte? Coincidência?

Apesar do grande número de peemedebistas debandados, Dilma ainda tem apoio de grandes cacifes do partido como o ex-presidente José Sarney e o presidente do Senado Renan Calheiros, que permanecem neutros diante da decisão da maioria.

Há quem diga que a saída do PMDB do governo pode ser o primeiro passado para o país sair da crise. Se há verdade nisso, ainda não é possível dizer… é esperar.

Editorial

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